Ed Sheeran parece ter adotado uma nova estratégia de divulgação: surpreender. E desta vez, quem ganhou o presente foram os fãs mexicanos. Em meio à promoção do single Old Phone, o cantor inglês apareceu do nada na tradicional Cantina Tenampa, localizada na emblemática Praça Garibaldi, na Cidade do México.
O show, organizado em parceria com o Spotify, foi restrito a convidados e teve clima de encontro íntimo algo raro quando se trata de um dos artistas mais ouvidos do mundo.
Acompanhado pela banda mexicana Auriga, Sheeran apresentou um setlist de quatro músicas, incluindo duas faixas inéditas de seu próximo álbum Play: a já lançada Old Phone e a misteriosa Azizam, que havia sido apresentada pela primeira vez em uma performance surpresa nos Estados Unidos.
Para completar o clima especial da noite, a cantora Elena Rose fez uma participação emocionante, cantando um trecho em espanhol da balada Thinking Out Loud, levando os fãs às lágrimas e provando que, sim, Ed sabe como fazer um momento virar história.
Essa nova fase da carreira de Sheeran parece seguir um caminho menos pautado por grandes produções e mais voltado à proximidade com o público. Desde o início do ano, o artista tem feito pequenas aparições em bares, pubs e esquinas ao redor do mundo, sempre sem aviso prévio. Já passou por cidades nos Estados Unidos e pela sua terra natal, Inglaterra.
É um movimento curioso para alguém com potencial para lotar estádios com dias de antecedência, mas que, talvez por isso mesmo, escolhe o caminho inverso.
Ao apresentar suas novas músicas assim, sem filtros, microfones grandiosos ou megaeventos, Ed testa não só a recepção do público, mas também a força das próprias composições. Em tempos em que o TikTok dita tendências e o streaming impulsiona o sucesso imediato, Sheeran aposta em algo mais clássico: a boa e velha conexão ao vivo, olho no olho, violão no colo.
Ed Sheeran: Super Bowl fora dos planos e foco no que importa
Apesar de todo o alcance e fama mundial, o britânico não se vê nos grandes palcos da cultura pop americana. Em entrevista recente ao podcast Call Her Daddy, Sheeran revelou que já recebeu convite para cantar no intervalo do Super Bowl, mas recusou.
“Houve uma conversa para subir com outro artista, há cerca de dez anos. Acho que seria a única forma de eu considerar. Eu simplesmente não acho que o público do Super Bowl queira ver The A Team ou Perfect. Não é meu lugar”, confessou, com a sinceridade que lhe é característica.
A fala pode parecer modesta, mas carrega coerência com os passos que ele tem dado. Sheeran nunca precisou seguir as regras da indústria para ter sucesso — e talvez por isso continue sendo um fenômeno mundial.
Enquanto muitos artistas perseguem o palco do Super Bowl como troféu máximo da carreira, ele prefere cantar para algumas dezenas de pessoas em uma cantina mexicana. E, sejamos justos, há algo de muito mais revolucionário nisso.
Ed Sheeran segue mostrando que, mesmo após anos no topo, ainda sabe surpreender. Seja com uma nova melodia, um verso inesperado em espanhol ou um show escondido no coração da Cidade do México, ele nos lembra que, na música, o mais importante ainda é o que se sente e não o que se contabiliza.
