Show ‘25 Anas’ é marcado por roteiro surpreendente, tensões técnicas e músicas inéditas que reforçam o legado da artista
Ana Carolina celebrou sua trajetória de 25 anos de carreira com a estreia nacional do espetáculo “25 Anas”, realizada no último sábado (12), na casa Qualistage, no Rio de Janeiro. Com ingressos esgotados, o show marcou o início da turnê comemorativa, trazendo ao palco memórias, paixões e os padrões artísticos que fazem da cantora mineira um dos grandes nomes da MPB.
Apesar de alguns problemas técnicos que geraram momentos de tensão e obrigaram Ana a interromper músicas por dificuldades de retorno no palco, o espetáculo se destacou pela ousadia do roteiro. O show foi dividido em cinco atos (“A história”, “A paixão”, “A memória”, “O reencontro” e “A celebração”) e trouxe uma seleção nada óbvia do repertório autoral da artista, costurada por áudios em off de canções marcantes.
Repertório inusitado, músicas inéditas e resgate de clássicos
Além das oito músicas inéditas do álbum Ainda já (algumas ainda não lançadas oficialmente), Ana Carolina surpreendeu ao incluir no setlist composições raramente apresentadas ao vivo, como “Me sento na rua” e “Mais que isso”. O roteiro valorizou canções esquecidas e celebrou sucessos como “Garganta”, “Rosas” e “Hoje eu tô sozinha”, que levaram o público ao delírio.
A artista também incluiu leituras de textos pelo celular, alguns espirituosos, outros menos inspirados, mas que deram um toque pessoal à narrativa do show. A direção de Jorge Farjalla, mais discreta que teatral, apostou em projeções de imagens em telões de LED para ilustrar a trajetória de Ana Carolina ao longo dessas duas décadas e meia.
Emoção, força e diversidade no palco
Mesmo reconhecida por sua postura contida no palco, Ana Carolina entregou intensidade vocal em músicas como “O rio”, “Dentro” e a emocionante “Mãe”, composta em homenagem à mãe falecida em 2023. O momento instrumental com pandeiros no encerramento causou estranheza ao público, mas reforçou o desejo da artista de experimentar.
Entre os destaques, a inédita “Lésbica monossilábica” chamou atenção pelos versos provocativos, enquanto “Quem dera eu Seu Zé”, parceria com Bruno Caliman, envolveu a plateia. O bis trouxe o público de volta à essência da artista, com “Encostar na tua” e o final apoteótico com “Elevador (Livro do esquecimento)”.
25 Anos de Anas: trajetória reafirmada e fãs fiéis
Mesmo baseada em uma efeméride já ultrapassada – Ana já soma 26 anos de carreira desde o lançamento do primeiro álbum em 1999 –, a turnê “25 Anas” cumpre o papel de revisitar memórias, reforçar paixões e apresentar novidades, tudo com a assinatura inconfundível de Ana Carolina. O roteiro, longe do óbvio, confirma a artista como referência da música brasileira e agrada fãs que há décadas acompanham seu percurso.
A estreia, apesar das falhas técnicas, evidenciou o trunfo de Ana Carolina: sua capacidade de emocionar, reinventar-se e transformar cada apresentação em um mosaico de lembranças e emoções.
